
Não é muito fácil a vida de Park Chan-Wook tendo no currículo o maravilhoso Oldboy. Todos os filmes que ele fizer serão eternamente comparados e nivelados por ele a menos que ele consiga produzir outro filme tão importante quanto e neste caso apenas mudará o objeto de comparação para os próximos filmes. Eu particularmente gostei bastante de Oldboy e foi um choque tremendo quando assisti a primeira vez mas eu gostei também de toda a trilogia da vingança(Lady Vingança, Sr Vingança) e mais ainda de "I´m a Cyborg but that´s ok" portanto assisti este esperando apenas um filme de qualidade pois Chan-Wook é para mim um grande diretor.
O filme inicia com o padre Sang-Hyeon(Song Kang-Ho, Hospedeiro e Mr Vingança) insatisfeito com seu papel frente aos católicos no leito de morte. Ele não aguenta mais rezar a extrema-unção para seu rebanho e insatisfeito com estas condições decide se oferecer de cobaia para uma nova vacina para ajudar seus pacientes através da ciência e não com a fé. Ele é contaminado com o vírus e quase morre, sendo salvo nos 91 minutos de partida com uma transfusão que o salva mas, acaba mudando um pouco sua natureza. O padre logo percebe que os sintomas do vírus voltam a surgir e só são aplacados quando ele toma sangue e acaba descobrindo que se tornou um vampiro.
Neste meio tempo reencontra uma amiga de infância Tae-Joo e o padre e a mocinha acabam se apaixonando e talvez apaixonando não seja realmente a palavra. Cenas hiper reais de sexo em todas as modalidades acontecem entre os dois mesmo ele sendo um padre. Em determinado momento ele confessa a ela que é um vampiro inclusive se explica que só está tendo um relacionamento com ela porque ele é um padre-vampiro, se fosse apenas um padre, nada aconteceria. No início ela fica com medo e receio em relação a ele mas aos poucos o aceita e é ai que começam os problemas para o padre. A tal amiga era casada e tenta convencer o padre que precisam se livrar do marido dela. Depois, mesmo com a culpa do assassinato ela tenta convencer ele que precisa ser transformada em vampiro também.
Assim como em outros filmes o diretor sempre coloca os homens a mercê das mulheres as tornando culpadas de todas as desgraças. Depois de a transformar numa vampira ao contrário dele ela começa a matar a todos que quer. Ele roubava sangue de pacientes em coma, amigos e nunca tinha matado alguém antes. Ela, nos primeiros momentos já sai se alimentando do primeiro que aparece e eles logo começam a ter desentendimentos em virtude disso. Assim como todos os seus filmes abuso total de ironia e simbolismo e em muitos detalhes dá pra perceber que o vampirismo é realmente da carne e não do sangue. As cenas que mostram o sentimento de culpa dos dois são impagáveis e tem até uma cena de sexo onde o ex-marido-assassinado aparece entre os dois durante a transa. Sendo que esta transa é de um padre vampiro e uma jovem, vampira, ironia acima de tudo.
O filme recebeu o Prêmio do Júri do Festival de Cannes de 2009 e é mais um exemplo da extrema qualidade dos filmes de Park Chan-Wook.
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