
O Polvo amedrontou boa parte dos anos 90 com suas dissonâncias incríveis e a surpresa tanto em arranjos quanto partes melódicas de suas músicas. Suas músicas nunca foram algo dito Easy Listening mas tem uma tragetória completamente original nos anos que manteve-se na ativa.Foi responsável por vários petardos sonoros e sempre ouvi eles com sorriso na cara. Tem boa parte dos timbres e um grau de experimentalismo um pouco menor se comparando com Sonic Youth.
As boas notícias chegaram através do orkut, o jax me liberando o disco inteiro pra download. Desde 1997(Shapes) que não lançavam nada mas o disco da volta deles cumpre muito bem todos estes anos de silêncio.Faz mais ou menos 1 mês que ele não sai do winamp aqui.
O timbre da primeira faixa lembra muito o Murray St. e traz a banda em uma faixa bem acessível e diferente das habituais dissonâncias. Os vocais de Ash Bowie e Dave Brylawski continuam iguais. Na segunda faixa teclados e distorções na guitarra com uma bateria bem marcada e um estilo que acabou talvez influenciando muito o pessoal do Math Rock que surgiu anos depois que eles pararam de tocar.
Neste novo disco a banda parece um pouco mais contida com as extravagâncias melódicas e aposta muito mais na simplicidade. Boa parte das guitarras contagiam criado climas orientais com adições de cítaras e trechos eletrônicos que fazem das músicas viagens incríveis. Algumas acalmam no meio e voltam com força total lembrando uma grande jam e algumas coisas remetem um pouco a Fugazi também.
Duas músicas se destacam no disco. Lucia uma espécie de balada com a banda improvisando numa marcha lenta com algumas explosões de distorções para depois voltar a calmaria. A música tem mais de oito minutos e tem uma melodia incrível e arranjos nada modestos. Outra faixa incrivelmente foda é City Birds que traz as duas guitarras dialogando e criando camadas que confundem e ofendem a quem escuta. O refrão fica grudado na cabeça por muito tempo e acredito que nunca antes poderia escrever algo assim sobre eles.
O disco ainda tem Beggars Bowl e D.C. Trails para finalizar em grande estilo com Right the relation a música mais Shapes de todo disco. A música lembra bastante os outros discos anteriores e é uma das melhores. Muito possivelmente é um lembrete para os fãs que eles continuam a mesma banda experimental e constrangedora que perfurou tímpanos nos anos 90.
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