18.1.10

Away we go (2009)


Desde que vi meu primeiro filme do Sam Mendes eu sempre tive em minha cabeça que ele não é muito legal comigo. Em American Beauty(1999) toda aquela mudança na vida de Lester Burnhan(Kevin Spacey) a troca de emprego, a melhor e mais linda amiga da filha olhando para ele com outros olhos, o vizinho e amigo traficante. Sem contar as pequenas estórias paralelas no filme todos os detalhes, as cenas finais, a cena do jornal voando enfim, foi uma experiência mais do que traumática para mim. Até hoje ainda tento me recuperar daquilo tudo e, ainda estou encontrando algumas respostas mesmo que eu não seja Lester(ou talvez seja). Em Jarhead(2005) também conhecido como Soldado anônimo(parabens produtoras) Mendes me deu uma folga. Apesar de usar a ironia e o sarcasmo de praxe desta vez ele não cutucou ferida alguma. Não jogou mertiolate no meu machucado e a experiência foi inócua para mim, um placebo eu diria.

Em Revolutionary Road(2008)* ele mais uma vez me fez pensar e muito. Desta vez ele foi baixo. O casal Frank e April Wheler, interpretados por Leonardo di Caprio e Kate Winslet numa espécie de "crise dos 40" começa a pensar nos sonhos esquecidos. Aquelas coisas que planejaram quando jovens e acabaram não realizando, as propostas de emprego rejeitadas em virtude de uma vida mais "segura". Aquele receio de mudar algo que está funcionando mais ou menos e se dar mal. Resumindo, MEDO. O medo aquele que vive com a gente desde o momento de nossa concepção até nossa morte. Mais uma vez fiquei obsecado pelas coisas que vi no filme. Na primeira semana foi um caos pois demorava para dormir. Acordado durante o dia ficava sonhando com aquelas coisas e me xingando internamente, me consolando, conversando comigo mesmo até que finalmente conseguisse esquecer tudo que assisti. Eu deveria odiar o Sam Mendes ou ao menos não assistir mais seus filmes depois desse.

Eis que este fim de semana aconteceu de novo. Por mais de 10 dias fiquei com este filme prontinho para assistir mas com um certo medo. Foi uma sugestão de um magrão que nem tem trinta anos ainda e de acordo com meu pensamento ele não deveria nem entender um filme destes ou ao menos aproveitar 98% do que ele pode te dar. Mas ontem, eu e Summer acabamos assistindo. Graças a Deus estávamos bebendo e acho que isto ajudou para tudo não doer tanto mas mesmo assim doeu.

Away fala do casal Burt Farlander(John Krasinski) e Verona De Tessant(Maya Rudolph) que tem uma vida mais do que tranquila para um casal. Não brigam nunca e tem um relacionamento perfeito. Ela está grávida e eles estão planejando como será o futuro da família e da herdeira que está prestes a nascer. Ao descobrir que os sogros pretendem se mudar e ficar dois anos fora na Bélgica eles decidem procurar um novo lugar para morar e perto de pessoas conhecidas. Os sogros dão um show a parte. Cada um mais peculiar que o outro e os atores e atrizes em atuações extraordinárias o que pra mim é a grande diferença entre ver um filme com um diretor bom para um Spielberg ou algo assim. Jeff Daniels o pai de Burt está caricato e a sua mãe não fica muito atrás. O casal seguinte é outro show de interpretação, eu e Summer demos várias risadas pois era impossível não rir.

Eles vão passando de cidade a cidade, casal a casal e aos poucos eles vão descobrindo que estão procurando informações, experiências para uma coisa que é praticamente impossível aprender sem viver a coisa toda. As vezes as pessoas que parecem ser as mais indicadas, as mais experientes são as piores para dar conselhos e trocarem experiências com eles. É o caso de Maggie Gyllenhaal e sua família. São completamente malucos e são responsáveis por mais cenas engraçadas. O último casais a ser visitado formado por dois ex-colegas de faculdade parecem os mais indicados. Porém uma tristeza absurda infecta eles. Já tem seus filhos porém a idade os impede de ter mais. Em um dado momento o pai fala "com milhares de adolecentes ficando grávidas todo ano sem planejar nada, é uma injustiça que a idade impeça pessoas como nós". Toda esta tristeza pode contaminar o casal perfeito. Bem é uma grande experiência com várias cenas antológicas como o strip da mãe que recém abortou com Velvet Underground(Oh! Sweet nothin) tocando, Verona cantando uma música dos Byrds(Mr Tambourine man) para confortar a sobrinha que sente falta da mãe que a abandonou recentemente e por ai vai. Os momentos de Verona com sua irmã e as duas lembrando dos pais dentro de um show room de banheiras.

Mas dae você pergunta o porque isto me fez tão mal ou bem. Porque sou pai e quando você é pai você nunca vai aprender o suficiente, nunca vai viver o suficiente para aprender tudo e fazer tudo certo. Chegar no fim do dia e olhar pra trás e ter orgulho de tudo que você fez com seu filho. Os únicos momentos que um pai para de se punir pelas ações que tomou com seu filho é quando ele, o filho faz algo tão especial como uma formatura, um casamento, um show de roque que o pai acaba esquecendo de todas estas "auto cobranças" e trata de curtir os louros e se orgulhar de seu filho tentando assumir responsabilidade parte da conquista. Eu pelo menos sou assim. Não passo um dia sem me questionar. No meu caso algumas escolhas erradas que tive no passado hoje me incomodam muito. E você pode multiplicar por 3 estas cobranças todas que faço em cima de meu papel de pai em virtude disso. Nunca aprenderei e, ninguém nunca aprende e muito disso o casal do filme acaba percebendo antes mesmo da criança nascer.

* Melhor filme que assisti o ano passado

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