10.5.03

Eu, músico pt 3

Bom, início de 90, eu com uma guitarra Dolphin novinha, preta e branca igual a Strato do Eric Clapton. O Marcelo Rodrigues, finalmente com uma bateria dele, uma Gope preta e o Tuchê com seu velho baixo Werpson. Além disso estávamos cada um com um Martin Sons e, duas caixas amplificadas abertas para os pré-amplificadores. Caixas com auto falantes para os MS, microfones com pedestal e etc. Pra fechar com chave de ouro tínhamos uma casa do meu pai, desocupada para os ensaios. A alegria durou pouco, ensaiamos 3 fins de semana até chegarmos lá num Domingo e não encontrar os instrumentos. Tinham roubado tudo.

Foi uma merda. Nisso, pintou o Mauro na parada. Ele cantava numa outra banda de Esteio, nos conheceu e quis tocar com agente. Ele fazia músicas legais e ensinou e fez agente aprender a fazer vozes e incentivou muito agente. Montamos estúdio e tudo mais mas, a idéia não vingou, o Mauro foi para os EUA e neste meio tempo o Tuchê comprou outro baixo pra ele, um Gianini Strato e minha irmã me trouxe da Disney uma guitarra importada que paguei a bagatela de US$ 160.

Um dia, no Ka-Churrasco, um barzinho perto da minha casa que tinha Karaokê nas Quartas. Subimos no palco eu, o TuchÊ e o Bexiga na bateria. Tocamos Pixies, REM, David Bowie e a galera gostou. O Tito, dono do bar perguntou se queríamos assumir as Quintas Feiras.

Bom, de iníco, sabíamos tocar apenas umas seis músicas e, a cada Quinta, ensaiávamos mais duas novas. Todas, anos 80, 90. The Smiths, Primitives, Soup Dragons, Hoodoogurus e etc. Foi uma época boa. O bar sempre tinha gente. Nossos amigos iam lá e curtiam nos ver tocando. Muitos curtiam, as viúvas dos anos 80 vinham, quase chorando pra nós dizendo como tinha sido legal ter escutado tal música e assim ia. Pela primeira vez, recebíamos uma graninha pra tocar.

Um dia o Bexiga diz que quer voltar a estudar e por isso, paramos novamente de tocar. Depois disso, eu, o Marcelo e o Tuchê ainda fizemos um pequeno show num bar novo que estava abrindo em Esteio.

Alguns meses depois o Chandele, Alexandre Ambrosi comprou uma bateria e montamos um estúdio na casa dele com placas de isopor e um pouco de forração daquelas pra estúdio mesmo. Ele foi aprendendo tocando com agente, olhando o Marcelo tocar bateria. O repertório era basicamente o que tocávamos no Ka-Churrasco e outras coisas que estavam pintando como Oásis, Verve, The Smithereens e hard rock.

Depois de algum tempo tocando lá, as coisas começaram a ficar mornas. Comecei a me encher daqueles sons, sempre a mesma coisa. Além disso, o Tuchê ia lá tocar e estava meio que de má-vontade, errava as coisas, não se concentrava e se o repertório já era ruim imagina mal tocado então. Meu gosto musical mudou um pouco comecei a escutar coisas mais alternativas como Radiohead, Pavement, Weezer e Placebo.

Comecei a me irritar com a postura do Tuchê dentro do ensaio e um dia, já que ele estava de cara feia sempre, pedimos o baixo e a caixa dele emprestada pra tocarmos com outro baixista, o Cabelo, Marcelo Ignatz e, o Tuchê não emprestou e isto foi a gota d’ água. Parei de tocar com o Tuchê.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Este comentário só será exibido quando eu aprovar.