Eu, músico pt 2
Tínhamos conseguido um ótimo lugar para ensaio. Uma casa que o pai do André tinha comprado. Deixávamos as coisas todas montadas, pronto pra tocar. Um dia estamos lá tocando e o Marcelo Rempel, o Bexiga, se ofereceu pra tocar com agente. Ele tinha algumas músicas prontas e desde que o Marcelo Rodrigues saiu de vez da banda, não tínhamos feito mais nenhuma música.
Já no primeiro ensaio, o Bexiga trouxe 3 músicas e já ensaiamos e deixamos elas prontas. Ele gostou muito de tocar com agente e nós pensávamos o mesmo. Poucos ensaios depois e já tínhamos diversas músicas. Em todas elas o Bexiga trazia o esqueleto, a banda tocava e eu fazia alguns arranjos.
Finalmente começamos a tocar na rua. Fazer shows. Tocamos em vários lugares da cidade. A praça Coração de Maria, na escola Loureiro e na Center. Agente ia Sábado para o estúdio e ficava tocando a tarde toda. Nesta época, o Marcelo Rodrigues, que sempre ia nos ensaios, começou discretamente a tocar bateria e, mesmo sem ter o instrumento, tocava muito melhor que o André, aprendia as coisas muito rapidamente e vários ensaios que o André dava cachorro na gente, o Marcelo tocava e, bem melhor que o André.
Ficávamos com pena porque o André tinha tudo pra tocar e não dava muito valor pra isto e o Marcelo, que era o cara certo pra gente, não tinha bateria nem nada. Estávamos loucos pra dar um chute na bunda do André.
Quando eu tinha uns dezessete anos, pintou um show na Center e agente fez um ensaio e nem demos muita bola pro show. Quando chegamos lá na Center na Sexta-Feira do show, nos apavoramos com a quantidade de gente que lá estava pra nos ver tocar. Foram momentos mágicos, muita gente conhecia as músicas e já estávamos pegando várias meninas por causa da banda. A Sexta foi tão legal que começamos a tocar lá na Center, todos os Sábados.
A banda estava aos poucos acabando quando pintou um show pra gente em Triunfo. A banda do Roger que nos colocou na lista. Seríamos as duas e mais umas outras 3 que não conhecíamos. Ia ter transporte, comida, bebidas e várias outras facilidades que nos seriam proporcionadas. Quando o “transporte” veio nos buscar, achamos que seria indiada porque o dito era um daqueles caminhõezinhos de entrega de alimentos e estávamos esperando um ônibus realmente. Entramos no caminhão e quando chegamos lá depois de muita zoeira, tivemos outra decepção pois o palco era de 3mx3m e era na beira de um rio. O nosso contratante era um trailer de Xis.
Bom, pensamos que seria uma merda mas nos enganamos pois, quando eram oito horas da noite começaram a chegar ônibus e carro e simplesmente lotou o lugar. Várias pessoas com barracas e etc. A banda do Roger tocou antes e depois foi nossa vez. Era incrível porque a galera se divertiu pra caramba com nosso som e aplaudiam muito como se agente fosse os Titãs ou o Legião Urbana e, tudo isto sem cover nenhum. Eu e o Marcelo nos demos bem com as produtoras do show e fomos com elas e dormimos num hotel no centro de Triunfo. Perdi minha virgindade neste dia.
Voltamos de trem e ficamos tocando com o Sampler/Teclado que o Bexiga levou. Acho que depois deste show a banda, pelo menos com esta formação acabou. O Bexiga quis parar para começar a estudar.
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