Ontem tive o grande prazer de assistir a este filme de um de meus diretores prediletos que Darren Aronofsky. Depois de tentar baixá-lo 3 vezes no início do ano e não ter conseguido assistir ontem fui a locadora e resolvi esta questão.
Assim como em "Requem de um sonho" este filme também possui uma estória apesar de fictícia, mais próxima da realidade do que "Pi" ou "The Fountain". Quando li as primeiras noticias sobre este filme eu até fiquei um pouco chateado em virtude que seus outros filmes traziam estórias extraordinárias e a vida dura de um lutador de luta-livre veterano não me parecia algo bom o suficiente para o diretor. Grande engano pois os méritos dos diretores não são apenas escolherem bons temas ou terem idéias maravilhosas mas, principalmente como contam a estória em questão.
Randy "The Ram" é um lutador de luta-livre veterano que no passado teve glórias e mais glórias. Teve seu sucesso que foi aos poucos decaindo assim como sua vida pessoal praticamente inexistente. Um cara que apanha e bate no ringue porém da vida apenas apanha. Lutando aos fins de semana e trabalhando em empregos chinelos durante a semana e, completamente sem dinheiro. Um dia após uma luta ele tem um enfarto e os médicos o proíbem de lutar. Na verdade eles tentam mas o que força sua tentativa de aposentaria é seu próprio corpo. Após o enfarto vê que não consegue ser nem ao menos uma sombra do veterano "The Ram" e se antes era dificil, veterano obter as glórias do passado imagine então agora, com uma ponte de safena. A solidão bate profundamente e ele decide viver uma vida normal. Tenta reatar com sua filha, que abandonou no passado, no começo é dificil mas um dia ele até consegue. Aliás, os melhores momentos do filme com certeza são o dia que ele passa com sua filha e explica o abandono ou tenta explicar e, no dia que ele passa com Pam, a dançarina Cassidy no qual tem uma sombra de relação amorosa.
Na verdade Darren aqui fez quase a mesma coisa que em Requiem ou seja expos seus personagens mostrando com indelicadez extrema as dores e os problemas internos pela qual passavam. Mickey Rourke está muito bem. Não é um grande ator e isto é fato. Mas o grande mote foi pegar um ator que tinha muito expostas em sua pele as cicatrizes do próprio personagem que encarnava. Com a diferença que o personagem tentou voar, viver uma vida normal e caiu de cara no ringue. O ator passou por maus momentos e teve sua ascensão como provam os prêmios que ele recebeu após o filme, os aplausos, críticas, enfim. Como já falei antes um dia ele consegue finalmente passar o dia ao lado de sua filha e durante uma conversa ele chora e conta muito do que aconteceu, do abandono, do que ele é e do que queria ser e foi para mim uma coisa emocionante. Chorei junto com ele me colocando no lugar dele e deixando ele se colocar no meu lugar, se é que isto é possível. Outro momento maravilhoso é a hora que ele e Pam vão para um bar tomar uma cerveja. Ela uma dançarina de bordel que acaba confessando que tem um filho e que uma hora sairá desta vida para morar em outro lugar e viver como uma pessoa comum. Ram ouve um som (possivelmente Van Halem) e dança para ela, depois os dois cantam juntos e foi o momento máximo do filme, de beleza indescritível. Duas pessoas nocauteadas pela vida mas por alguns minutos, juntas esquecem de tudo e se divertem cantando. Desde que me conheço por gente eu admiro Marisa Tomei e o simples fato dela num filme já ser convite para eu assistir. Neste filme ela mais uma vez comprova os porquês de minha admiração por ela. É a atriz que tem o sorriso mais motivador, mais esperançoso que já vi. Apesar dela ser uma dançarina e em 75% de suas aparições serem "almost naked" o rosto dela e sua simpatia que chamam atenção e que me cativam acima de tudo.
Um clima de anos 80 permeia o filme do inicio ao fim. A trilha sonora é 98% de bandas de hard rock / glam metal, a luta final inclusive é ao som de Sweet Child O´mine do Guns e nem preciso citar que é emocionante. Na cena no bar, Randy e Pam falam mal de Kurt Cobain por ter iniciado seu movimento e acabado com o sucesso das bandas de Metau Farofa que eles tanto amam. É muito engraçado quando Marisa Tomei fala "Que mal há em se divertir", deixando bem claro o desprezo do diretor com as músicas e a personalidade de Kobain e outras bandas e, seus fãs que cultuam a tristeza. Em outro momento, Randy só, chama um menino da vizinhança para jogar video game com ele. O Game, é um jogo de luta-livre tosco pra caramba com gráficos a lá Atari. No meio do jogo o guri começa a falar muito bem de Call of Duty 4, um jogo que foi lançado há 2 ou 3 anos atrás. Aos poucos Randy vai ficando sem graça até que o menino decide ir embora e fica aquela mensagem de que ele ficou parado no tempo, que hoje não tem graça nenhuma e coloca mais uma pá de cal na sepultura de Randy deixando ele ainda mais depressivo do que antes.
Existem momentos do filme que o sangue, a violência chocam bastante até para mim mas, na verdade o que mais choca são as constatações finais de Ram quando ele diz que a vida real é muito mais dura do que suas lutas. Na verdade o esforço e o sofrimento físico nunca conseguirão ser maiores que o sofrimento psicológico e inclusive o que este sofrimento pode levar uma pessoa a fazer. Mesmo assim a vida espanca ele mas no fim a luta o nocauteia e dá o golpe final. Sublime, melhor filme de Darren e com certeza a melhor coisa que assisti este ano sem sombra alguma de dúvidas.
Sem comentários:
Enviar um comentário