A divina Comédia dos Mutantes - Carlos Calado
Este livro conta a história de uma das bandas mais cultuadas fora do Brasil. Nem me lembro qual foi a primeira vez que ouvi falar deles mas acho que demorei bastante parar conferir o trabalho. Óbvio que já conhecia algumas músicas de propagandas, de covers de outras bandas mas, só fui entender a importância deles quando realmente fui atrás dos discos, dos mp3, das estórias e tudo mais.
O livro me deixou emocionado uma centena de vezes e, sobretudo pensativo. Alguns mitos caíram e, outros foram criados durante a leitura. Um deles foi que, antes de ler o livro eu ouvia muito dizer que eles eram precursores, inovadores, originais e, mais um monte de coisas mas, você vê, pelos comentários do autor que, boa parte das músicas eram inspiradas nisso ou naquilo. Que eles misturavam MPB com rock, samba e heavy metal e etc até fizeram isto mas, muito mais por influência do público, mercado da época e seus amigos Caetano, Gil, Tom Zé do que propriamente uma preferência ou referência da banda.
Mesmo assim eu ficava emocionado com os relatos dos festivais, da construção das músicas e, ficava muito pensativo com minha própria música e o que ela traz de novo ao mundo ou, o quanto o mundo e as pessoas precisam dela. Fiquei mais uma vez lembrando de uma coisa que, descobri e, tenho pra mim desde o ano passado que, a fama, o sucesso, o assédio das pessoas ao artista acaba destruindo o lado psicológico da pessoa, acaba com o ego e com a individualidade do mesmo.
Existem momentos felizes no livro mas, boa parte é triste ou pelo menos o foi pra mim. O início por exemplo começa com o "acidente" em que Arnaldo tenta sair do hospital voando pela janela. O início do consumo de LSD pela banda e, os prejuízos(não sonoros) que a mesma trouxe para a banda, a demissão de Rita Lee, a saída de Arnaldo e, acima de tudo a tentativa de Sérgio Dias de, continuar com a banda mesmo com todo mundo fora dela, apenas ele como membro original. Um momento que achei interessante foi que, o show que fez Arnaldo sair da banda, onde queria levar os Mutantes pra tocar de graça em um festival em Minas Gerais e, não era apoiado pelos outros e, acabou indo sozinho fez com que ele conhecesse Lucinha, sua atual esposa e, chamada por muitos como o "anjo" que salvou Arnaldo.
Não assisti aos shows, nem DVD nem disco deste revival que fizeram o ano passado mas, nem preciso pois o Arnaldo morreu. Uma traqueotomia acabou com sua cordas vocais e, o LSD e o suicídio frustrado acabaram com a genialidade dele. Isto sem levar em conta que, Rita Lee também não tem a mesma voz e, também já está mais pra lá do que pra cá.
Descobri também que, o Liminha, que tocava baixo e violão nos Mutantes é o mesmo que hoje em dia é um consagrado produtor que, dentre outras coisas gravou "Cabeça Dinossauro" disco clássico dos falecidos Titãs.
Bem, resumindo muito, pedida pra qualquer fã e admirador do grupo e, amantes de boa música.
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