1.6.05

Eu...

Achei muito bonito isto q recebi e, gostaria de compartilhar com vcs...

"Pois é meu bom amigo, cá estou pra te contar uma historinha.

Há um tempo atrás eu estava montando uma banda. Uma que era pra dar certo, pra tudo correr bem, para fazer um som próprio, para ter uma atitude de palco, onde os componentes se respeitassem como colegas e fossem pessoas amigas, próximas. Enfim, estava querendo montar a banda dos sonhos. Se não fosse para ser assim, eu não iria querer mais ter uma. Tocaria sozinho na minha casa.
Eu já tinha um guitarrista e um vocal, faltavam ainda um baterista e um baixista. Bom, fiz contatos com alguns bateristas, toquei com eles e tudo mais, mas percebi que não tinha nenhum baixista que quisesse ou pudesse abraçar esse pequeno sonho.
Certo dia, ao telefone, liguei para muitos baixistas, muitos mesmo, mas nada fechava. Então, liguei para um cara que um primo meu havia indicado. Ele me disse que o cara não era baixista, mas estava muito disposto a montar uma banda séria, que desse certo e que abraçaria o baixo. Quando liguei, o cara atendeu e conversamos um pouco até que ele falou: "Cara, eu não vou decepcionar vocês".
Marquei um ensaio com ele. Tocamos e percebia que ele não era baixista, mas estava se virando para responder à banda. E assim foi. Alguns ensaios depois já tínhamos uma banda formada e, em dois meses fizemos nosso primeiro show. Foi alucinante; pois vi que ali se criava a melhor banda com a qual já toquei. Uma banda com um show muito massa, com músicas diversificadas e sinceras, uma banda corajosa, com um vínculo de amizade muito forte. Eu estava tocando na banda com a qual eu sonhava estar.
O baixista nos surpreendeu, pois conseguia marcar shows como nenhum de nós conseguia fazer. Muitos shows rolaram, muito ele se incomodou até que nos pediu ajuda. E eu afirmei que iria ajudá-lo. Na vardade, ele nunca percebeu muito bem, mas sempre o apoiei e tentei compreender a posição dele.
O cara era uma espuleta, não parava nunca, agilizando coisas sem parar. Era uma máquina, estávamos contentes e seguros, e tínhamos confiança nele. É claro que ficamos pra trás, não tínhamos tanta agilidade como ele. O cara tem esse talento, não adianta.
E esta é uma tarefa árdua, cansativa, e ele foi se cansando. Cansou tanto que abdicou aos poucos do talento que ele tinha, pois fora muito peso para um só levar.
Nossos tempos se tornaram complicados e as negociações delicadas.
Tudo ficou difícil, mal conseguíamos marcar um show.
E lamento por talvez nunca ter conseguido passar claramente pra ele o quanto eu admirava o seu talento e como ficava grato e orgulhoso por tê-lo trabalhando conosco.
Nos admirávamos com o talento de um e do outro.
Uma troca feliz de um amigo para outro.
As palavras se diluem com o tempo e o presente nos deixa cegos.
Ainda temos muitas coisa para fazer, muito a crescer a rir e chorar juntos.
Sei que este amigo esteve cansado, frustrado, chateado. Sei porque senti isso junto com ele.
Mas aqui estou hoje, meio manco, com ferida aberta, estendendo as mãos para abraçar este amigo que ainda tem muito a fazer ao meu lado e que ainda vai me surpreender positivamente por longa data. O meu amigo baixista e eu.

Árlen,
É com esta breve história que digo que tem sido muito bom saber que nunca lutei sozinho.
Feliz aniversário meu amigo.
"

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