4.6.03

Great Night

Sem palavras para expressar o que aconteceu ontem comigo, com o Jacques e com o mais novo membro da família, o Silvério. Mesmo não existindo palavras, tentarei inventá-las. Passei na casa do Jacques, dez para as sete e fomos num buteco bem pangaré e compramos uma garrafa de vinho, dos mais chinelos mas, era bom, parecia suco. Chegando no estúdio, o Silvério já estava lá maltratando a bateria. Logo de cara já vi que ele era uma pessoa totalmente diferente, gente finíssima. Nos apresentamos e começamos a montar a parafernália. Infelizmente tive que usar o Zoom porque o pedal do amplificador não estava lá mas, pra compensar o efeito de merda do Zoom, usei o amplificador do baixo, afinal eram duas guitarras no estúdio. Demoramos muito tempo pra equalizar tudo direitinho, acertar os volumes, trocar cabos com mau-contato e digo pra vcs, eu pensava que tocava alto mas, o Jacques me bateu. Tocamos muito alto, ensurdecedor. Minha guitarra desafinou muito em todas as músicas, acho que é por causa das cordas que troquei recentemente.

Largamos de cara a primeira música que agente fez meio sem falar nada pro Silvério, depois de umas 3 execuções e alguns toques para o Silvério, conseguimos deixar ela bem legal. A princípio eu e o Jacques tinhamos combinado de ensaiar muito bem cada música e de repente nem mostrar todas para o baterista mas ele pediu que tocássemos para ele conhecê-las. Ele só dizia “Que música bonita”. E íamos tocando, o mais incrível de tudo é que o cara tocou umas 3 música sem dizermos nada e ele tocou tudo certinho. As músicas tem muitas quebradas, trocas de ritmo e paradas, eu imagino que é foda tocá-las por causa disso mas, pelo jeito o baterista é tão louco quanto agente. Ele deu outra cara ao som, foi experimental, foi muito mais que acima da média e o principal de tudo é que ele é muito gente fina e ele tem a mesma sintonia que tenho com o Jacques e o Jacques comigo.

Tem uma música que agente tinha feito nos violões e ela tinha uma sonoridade bem brasileira, acordes de bossa nova, ontem ela foi muito barulhenta, mudou muito e no final, fiquei uns cinco minutos abusando dos nosso ouvidos fazendo ruídos deixando meu braço invisível para quem assistia de tão rápido que batia nas cordas. A nossa música “Pavement”, aquela que a Jana gosta, nós deixamos de lado, temos que os dois ou pelo menos um tocar esta música com violão. A guitarra do Jacques funcionou bem, para o estado que ela tá.

Ficamos muito emocionado quando saimos lá de dentro, já deixamos marcado ensaio para a Sexta da semana que vem e todas as terças-feira da semana posterior. Realmente achamos o cara certo e, antes de colocar um baixista na banda, vamos procurar um cara que case com agente tão bem quanto nós tres casamos ontem. Eu já achava incrível a sintonia que tinhamos eu e o Jacques e não imaginei que outra pessoa pudesse entrar no meio da estória e cair tão bem mas, me enganei, felizmente e espero que com o baixista seja a mesma coisa.

Deixamos o Silvério na casa da namorada e compramos mais uma garrafa de vinho e ficamos no postinho, bebendo, fumando e trocando impressões sobre um dos ensaios mais empolgantes que já fiz em toda minha vida. Chovia, tava frio mas ficamos ali conversando pois estávamos muito felizes e empolgados com mais esta barreira que atravessamos que era de conseguir um baterista e ouvir as nossas músicas devidamente ritimadas.

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